Curitiba, outubro de 2026

Em 13 de outubro de 2026, o pesquisador curitibano Marcos Juliano Ofenbock entrará pela Marten Library de Eton College para apresentar à History Society da escola a investigação de 22 anos sobre o Pirata Zulmiro. É a primeira vez que um brasileiro palestra na Sociedade de História em uma das instituições de ensino mais tradicionais e influentes do mundo.
Mas o que torna esse momento verdadeiramente singular não é apenas a raridade do feito. É o que ele representa historicamente.
99 anos depois de Barrie
Em outubro de 1927 — exatamente 99 anos antes — J.M. Barrie esteve em Eton para falar sobre o Capitão Gancho. Na célebre palestra “Captain Hook at Eton”, o escritor construiu uma biografia fictícia do personagem como antigo aluno da escola — aquele mesmo que, na peça original de Peter Pan, pronuncia “Floreat Etona” — o lema do Eton College — no momento de sua morte.
Agora, quase um século depois, um pesquisador brasileiro chega ao mesmo lugar com uma pergunta diferente: e se o Capitão Gancho tivesse sido inspirado num personagem real, também ligado a Eton?
O nome no calendário oficial

A palestra já está confirmada no calendário oficial de Eton College — calendar.etoncollege.com — com o título:
“An OE Pirate? The Story of Zulmiro”
“OE” significa Old Etonian — ex-aluno de Eton. A própria escola, ao registrar o evento, faz a pergunta que a investigação brasileira trouxe até ela.
Local: Marten Library — a biblioteca que leva o nome de Sir Henry Marten, Provost de Eton entre 1945 e 1948, tutor da Rainha Elizabeth II e editor do The Mariner’s Mirror no início do século XX. Sir Henry Marten estava, muito provavelmente, presente na palestra de Barrie em 1927.
Horário: terça-feira, 13 de outubro, das 20h30 às 21h30.
A história que volta ao ponto de partida
A investigação de Marcos Juliano Ofenbock reconstruiu documentalmente a trajetória de Francis Hodder — identificado pela pesquisa como um homem ligado a Eton que viveu no Brasil durante décadas sob o nome falso de João Francisco Inglez, no bairro do Pilarzinho, em Curitiba, onde morreu em 1889.
Certidões de batismo e casamento, censos municipais, pedidos à Câmara Municipal e certidão de óbito formam uma cadeia documental que acompanha sua vida por mais de seis décadas no Paraná. Do outro lado do Atlântico, as School Lists de Eton registram um “Hodder, Francis” como aluno em 1811 — com a nota “d. long since”: morto há muito tempo.
O Eton achava que ele havia morrido. Ele estava plantando milho e feijão no Pilarzinho.
Agora, os documentos que provam o contrário retornam à escola — trazidos por um pesquisador de Curitiba.
O momento de Eton
A palestra ocorre em um momento de visibilidade especial para a escola. Em setembro de 2026, o Príncipe George, filho do Príncipe William e segundo na linha de sucessão ao trono britânico, iniciou seus estudos em Eton — seguindo os passos do pai. Fundado em 1440, o colégio formou primeiros-ministros, escritores, cientistas e membros da família real britânica ao longo de quase seis séculos.

É nesse contexto que a história do último capitão pirata do século XIX — escondido por 50 anos numa cidade no sul do Brasil — chega finalmente à escola que o formou.
Uma hipótese documentada, não uma certeza
A investigação é apresentada com o rigor que sempre a caracterizou: trata-se de uma hipótese histórica documentada, não de uma identificação literária definitiva. A proposta é colocar documentos, cronologia, geografia e literatura lado a lado — e examinar as convergências diante da comunidade que melhor pode avaliá-las.
Afinal, é na própria Marten Library de Eton que essa história começou. E é lá que ela será contada, pela primeira vez, por um brasileiro. 🏴☠️
Links oficiais
- Calendário de Eton College: https://calendar.etoncollege.com/CalendarDay.aspx?ID=65&d=10%2F13%2F2026