Documento de 1836 revela o Pirata Zulmiro como agricultor no Pilarzinho

O Pirata Agricultor

Curitiba, setembro de 2026

Sete anos após se instalar em Curitiba sob o nome falso de João Francisco Inglez, o pirata Francis Hodder aparece novamente nos registros históricos brasileiros — desta vez como agricultor no bairro do Pilarzinho.

É o que revela a Lista Nominativa dos Maços de População da Capitania de São Paulo, Pilarzinho, ano de 1836. O documento registra João Francisco no fogo 73, ao lado da esposa Rita Maria e dos filhos, com uma informação reveladora sobre sua ocupação: agricultor.

Do oceano para a roça

O contraste é poderoso. O mesmo homem que liderou um bando de piratas no Atlântico Sul e se tornou responsável pelo esconderijo do maior tesouro pirata do mundo na Ilha da Trindade aparece, em 1836, cultivando milho e feijão para sustentar a família numa pequena propriedade no Pilarzinho — o bairro onde viveria até o fim dos seus dias.

Além disso, o documento confirma algo estratégico: João Francisco havia deixado para trás a condição de jornaleiro registrada no censo de 1830. Em apenas seis anos, portanto, havia conquistado uma ocupação mais estável — a de agricultor, com terra para trabalhar e família para criar. Assim, o disfarce estava se consolidando.

O Pilarzinho como lar definitivo

Naquela época, o Pilarzinho era uma região rural nos arredores de Curitiba, com pequenas propriedades agrícolas e poucos habitantes. Para um homem que precisava de anonimato, era o lugar perfeito: distante do centro, sem vizinhos curiosos e com terra suficiente para o sustento.

Consequentemente, foi ali que João Francisco Inglez finalmente criou raízes. Os censos seguintes continuariam a registrá-lo na mesma região. Além disso, foi no Pilarzinho que ele viveu os cinquenta anos seguintes — em silêncio, longe do mar, cumprindo o juramento que havia feito ao comandante britânico que o deixara escapar em 1829.

Mais uma peça do quebra-cabeça

O Maço de População de 1836 é, portanto, mais uma peça no conjunto de documentos originais que comprovam a existência histórica do Pirata Zulmiro em Curitiba. Junto com a certidão de casamento de 1829 e o censo de 1830, ele forma uma cadeia documental que acompanha a vida de João Francisco Inglez desde a sua chegada à cidade.

Morreu aos 90 anos, no mesmo bairro onde plantou milho e feijão pela primeira vez em 1836. Sem que ninguém soubesse, até décadas depois, quem ele realmente havia sido. 🏴‍☠️

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