Expedição Arqueológica Ilha da Trindade é apresentada no Senado Federal

Apresentação da Expedição Arqueológica Ilha da Trindade no Senado Federal

 

Em 18 de março de 2026, representantes do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná apresentaram a Expedição Arqueológica Ilha da Trindade em audiência pública na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação e Informática do Senado Federal, em Brasília. O senador Flávio Arns, presidente da Comissão, convocou o encontro, realizado no Plenário nº 7 do Anexo II do Senado.

Por isso, a apresentação representou um marco para a pesquisa arqueológica brasileira: pela primeira vez, uma iniciativa científica dedicada especificamente à arqueologia da pirataria no Atlântico Sul chegou formalmente ao Parlamento nacional.

 

O projeto e seus objetivos

O Instituto Histórico e Geográfico do Paraná (IHGPR) foi representado na audiência por uma delegação de quatro membros: o presidente Paulo Roberto Hapner, o diretor financeiro e pesquisador Marcos Juliano Ofenbock — responsável pela pesquisa histórica sobre o Pirata Zulmiro —, o diretor cultural Nelson Penteado Alves e o diretor de biblioteca Manoel de Campos Almeida.

A Expedição Arqueológica Ilha da Trindade tem como objetivo investigar, com métodos modernos de prospecção geofísica, os vestígios históricos da presença de piratas na Ilha da Trindade — território oceânico brasileiro localizado a 1.200 km da costa do Espírito Santo, no Atlântico Sul. Para isso, a expedição utilizará tecnologias como georadar, magnetometria e gravimetria, que permitem investigar o subsolo sem necessidade de escavações invasivas em primeira instância.

Além disso, o projeto prevê a produção de conteúdos educativos e a popularização da ciência histórica e marítima brasileira, contribuindo para o conhecimento do patrimônio cultural nacional.

 

O Pirata Zulmiro e a Ilha da Trindade

No centro da investigação está a figura do Pirata Zulmiro — nome de guerra do britânico Francis Hodder, que estudou no Eton College, tornou-se líder de um bando de piratas no Atlântico Sul e escondeu um fabuloso tesouro na Ilha da Trindade. Posteriormente, Zulmiro viveu escondido em Curitiba por mais de 50 anos, sob o nome falso de João Francisco Inglez, até sua morte em 1889. Sua história está comprovada por documentos originais preservados na Igreja Matriz de Curitiba, no censo municipal e no Cemitério São Francisco de Paula.

Entre 1880 e 1926, nove expedições — inglesas, americanas e brasileiras — tentaram encontrar o tesouro escondido na ilha. Entretanto, todas fracassaram diante das dificuldades de acesso, dos desmoronamentos constantes e da falta de tecnologia adequada. Por isso, a Expedição Arqueológica Ilha da Trindade representa uma oportunidade histórica: será a primeira investigação científica estruturada sobre pirataria no Brasil, com autorização formal do IPHAN, do ICMBio e da Marinha do Brasil.

 

Uma maquete da Ilha da Trindade foi doada pelo IHGPR para a Marinha do Brasil

 

 

Acompanhe a audiência na íntegra

 

A audiência pública está disponível para acesso no portal e-Cidadania do Senado Federal. Além disso, todos os documentos de referência e o relatório de participação podem ser consultados diretamente na página do evento. [Assista aqui]